O Homem da Janela



Ele ficava ali, parado, olhando o movimento dos carros na rua. Apagava as luzes da sala, e ia pra janela observar. Quem o via ali, se assustava.  Por volta de sete da noite, todos os dias, ele ia pra janela. Um homem moreno, alto, e corpulento  a vigiar a noite. Sua casa era um marrom-telha e as janelas um tom de marrom claro, tudo calculado milimétricamente para que ele se camuflasse no escuro da sala.Talvez ele não tivesse mais nada interessante pra fazer; Talvez ele só quisesse vigiar alguém, um vizinho, um conhecido, um parente; Ou talvez só estivesse ali pra observar mesmo.

Só com uma visão muito aguçada, seria possível ver que, ao lado do homem, sentado na janela pelo lado de dentro, tinha também um cachorro. Um cachorro preto, de olhos castanhos escuros, sendo afagado pelo dono, enquanto tentava tirar uma soneca, oscilando entre estar atento ao movimento da rua e se render ao sono mais profundo. Ao lado do cachorro, havia uma planta. Por detrás do homem havia uma televisão falando sozinha no escuro, e uma luz acesa na cozinha.

Às vezes, a vida se parece com aquela janela. Nossos sonhos, nossas conquistas, e nossas esperanças se camuflam no escuro da sala, e a gente que tá ali olhando pra dentro da janela, só percebe que tem muita coisa ali pra ser explorada, vivida, sentida, e contada quando a gente olha direito. Presta atenção, não fica bobo não. Sua janela pode estar escura, mas dentro dela você pode encontrar até uma luz no fim do túnel se quiser. Não é preciso ter um olhar de águia, nem de coruja pra enxergar você ali dentro, ao lado do seus amigos de verdade, a simplicidade que você precisa para ser feliz bem ali do seu lado e de seus amigos, a sua felicidade falando sozinha bem atrás de você (não leve ao pé da letra quando eu digo que a televisão pode ser sua felicidade por favor!), e o amor da sua vida preparando seu jantar na cozinha, enquanto você tenta encontrar sentido pra isso tudo. Quem é você? O que está de dentro, ou o que está de fora?

Em alguns casos, somos o personagem de fora da janela, tentando achar a tal luz lá no fundo, nossos amigos de verdade e o modo com que queremos viver pra alcançar a felicidade. Quando estamos de fora, percebemos algumas coisas, que talvez, não perceberíamos se estivéssemos lá dentro. Outras vezes, somos os personagens de dentro da janela, assustamos as pessoas e procuramos observar o lado externo, esquecendo um pouco sobre quem está com a gente de verdade, e procurando alguma saída lá de fora, enquanto dentro da nossa própria sala escura, está tudo o que precisamos. Basta olhar de uma maneira diferente.

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