Pra ver, e buscar o que me faz sorrir.




Eu gostava de lugares altos, onde o vento sopra mais forte, e os pássaros voam mais perto. Um lugar de onde eu podia ver tudo pequeno, tudo ser exatamente igual; a cidade, as pessoas, os carros, a vegetação. De longe  eu só conseguia ver pontos se movendo sem saber quem é quem, quem é melhor que quem e alguns pontos fixos, sempre do mesmo tamanho, com uma dimensão semelhante. Os arranha-céus de longe, pareciam pecinhas de lego, que eu montava uma a uma quando criança pra ver  o máximo de peças que eu conseguiria empilhar e fazer ficar de pé.

Lugares altos me traziam a sensação de que eu poderia ir além. Não por me sentir superior a tudo e a todos, mas porque eu podia ver no horizonte, o mundo que me esperava. Eu não tô falando da falsidade, da mesquinharia e nem de pessoas que dariam tudo pra me ver tropeçando. Eu tô falando de coisa boa, de pessoas de bem, que sempre estão dispostas a acolher, a compartilhar alegrias, a fazer  com que um dia nublado seja o mais lindo dia, e que dias de sol se tornem dias melhores (detesto calor). Tô falando de novas oportunidades, novas experiências, novas decepções talvez, mas com o propósito de me fazer crescer.

Certa vez, quando eu estava olhando lá de cima, vi você passar. Senti um golpe tão grande no coração, que quase não conseguia respirar. Você passou numa correria de um lado da calçada pro outro, que eu imaginei que estava atrasado, ou correndo atrás de alguém.  Eu não te conhecia, e nem você a mim. Fiquei te observando, e percebi que, quanto mais você se distanciava de mim, mais meu coração doía. Eu permaneci imóvel, vendo você ir embora, sem saber ao menos de onde você era, ou pra onde tava indo. Tudo o que eu sabia era que descer não dava tempo, e te gritar seria inútil.

Você se foi. Chorei, sem saber o motivo. Sofri, lamentei, mas já não adiantava. Todo aquele papo de que ficar lá em cima era bom porque de lá eu podia enxergar tudo de uma maneira melhor, não fazia mais sentido pra mim. Eu precisava descer. Não pra te encontrar, porque você já tinha ido. Mas porque eu percebi que lá de cima eu podia ver tudo o que eu queria, mas se eu descesse, eu poderia conquistar tudo o que eu tinha visto, e muito mais. De cima eu podia ver, mas de baixo eu podia tocar. Foi aí que eu me dei conta do tempo que eu perdi observando o modo com que tudo funcionava lá de cima, o modo com que as pessoas agiam em determinadas situações, enquanto eu poderia ter vivido coisas semelhantes àquilo.

Desci, sem pestanejar. Peguei tudo que era meu e levei lá pra baixo. Lá de baixo, eu não podia ver com clareza qual era o meu foco, e acabei ficando perdida. Resolvi ficar no meio termo. Subir pra enxergar tudo de bom que tem em baixo, e descer pra conquistar tudo aquilo que eu ver lá de cima, e que faça disparar meu coração.

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