Sobre aceitação.



Eu reconheço que não fui quem você queria que eu fosse. Afinal, quem é do jeito que o outro quer? A vida é um aceitar ou não o outro. Quando a gente aceita, a gente tá aceitando tudo que vem junto: defeito, qualidade, mania, chatice, chulé no tênis velho, cabelo despenteado, preguicinha de Domingo, reclamação de Segunda, expectativa de Sexta, enfim Tudo! Ou você aceita o outro com tudo que ele vem junto, ou você simplesmente ignora, e em casos extremos, fala pra pessoa que não vai com a cara dela e pronto.

O problema, é que você sempre me aceitou pela metade. Você aceitava minha companhia, minhas ideias, loucuras, manias e chatices quando lhe era conveniente, e rejeitava quando não era. Isso sempre me intrigou. Porque é que você nunca me aceitou inteira? Em dias de crise, eu sempre achei que você me procurava pra conversar, pra sair, pra assistir filme, ou até mesmo pra ouvir John Mayer num Sabadão a tarde, quando você precisava de mim. De alguma forma, você precisava de mim. Quando tava se sentindo sozinha, precisando estudar pra passar em Física, conversar sobre rolos, reviravoltas da vida, e até sobre futebol.

Eu sempre te aceitei inteira. Com suas chatices, manias loucas, jeito diferente, estilo largadão, cabelo embaraçado enrolado num coque em cima da cabeça faça chuva ou faça sol, mania de pegar tudo emprestado e nunca mais devolver, ligações inesperadas no fim de semana porque você queria “sair da toca” como eu costumava dizer. Você era uma pessoa diferente, que com seu jeito esquisitão, conseguia ser muito especial.

O que mais doeu, foi aquele “não sei o que eu te fiz “ piscando na minha cabeça o tempo todo. Se você decidiu não mais aceitar nem metade de mim, beleza, eu compreendo (ou pelo menos tento). Minhas últimas atitudes não foram lá muito aprovadas por mim mesma, quanto menos por você, que adorava me julgar pelo que eu fazia. Mas me ignorar como se eu fosse nada pra você, assim, do dia pra noite, doeu demais.

Eu não preciso mais de nenhuma explicação pro que aconteceu. Amigos servem pra dar suporte, pra corrigir, pra compreender, na alegria e na tristeza, na ignorância e na arrogância. A verdade, é que o que mais machucou, foi perceber que você pra mim, era uma amiga de verdade, meia-irmã, confidente. E pra você, eu não passava de uma pessoa qualquer, aquela “gente boa” que na hora do aperto, sempre se pode contar. Saber que eu não podia te ligar, conversar por sms o dia inteiro, assistir filme num dia tedioso, foi a pior dor da minha vida. Perder uma pessoa amiga, dói mais que perder mil, e traumatiza mais que perder dois mil amores. A dor passou, a curiosidade de saber qual foi o meu erro nessa história também. Até porque sem querer, no fundo eu já sabia que isso um dia ia acabar. Quando um dos lados está lá porque não tem outra opção, no fim, é mais ou menos assim que a história acaba.

Aprendi que, na vida, o que não é recíproco, pode durar anos, mas não a vida inteira.

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