Um ano a mais é uma dúvida a mais.




Os dias passam, os meses passam, os anos passam. Quando me dei por mim, estava assoprando as velas do meu vigésimo primeiro aniversário. Numa questão de segundos, o flashback de um filme, que ora é drama, ora é comédia;  com pitadas de romance e terror, que ninguém mais vai assistir outra vez, passou pela minha cabeça. Eu sempre fui muito fiel à mim; Sou o que quero ser, faço o que quero fazer e ponto. Os rótulos já me incomodaram muito, em especial na adolescência. Sofria dias por ser a última a ser escolhida pro time de queimada na escola, e sofria o dobro porque o menino que eu gostava me achava gorda e feia demais. Naquela época, eu acreditava que ele era o único amor da minha vida inteira, e que um dia ele ia me olhar diferente. O medo estava comigo em todos os momentos.

Emagreci. Esqueci de querer ser vista com outros olhos pelo menino. Eu queria ser vista pelo mundo! Com o tempo, fui percebendo que o mundo não esperava que eu fosse eu, mas que eu fosse alguma coisa, que eu oferecesse alguma coisa. Ensino médio, a pressão de todo mundo querendo saber o que você vai fazer. Pouco me importava a opinião das pessoas sobre o que eu escolhi pra mim, sobre o que eu amava de coração. É claro que de um jeito ou de outro você acaba ouvindo certas coisas pelo caminho que te deixam triste, mas eu persisti até onde eu pude, até o meu limite de não querer mais. Não voltei pela tristeza de saber que a sociedade me julgava por ter seguido meu sonho, mas pela desilusão de morar longe de casa, com a incerteza de sobreviver à situações de perigo, e a cerejinha do bolo, foi a falta de estrutura em que tudo se encontrava.

Enjoo muito rápido de músicas, roupas, lugares, comidas, e assuntos (polêmicas me apavoram). Dentro de mim, uma vontade enorme de conhecer coisas novas, lugares novos, pessoas novas. Minha insensibilidade é composta por muita sensibilidade, choro com programas de TV, filmes, novelas, músicas e até com documentários do reino animal. Não me arrependo de nada que eu tenha feito, porque tudo no final se tornou experiência, aprendizado. E não pense que no meio do caminho não encontrei gente pra me desanimar das coisas que eu pensava e queria, mas em compensação, encontrei poucos que valeram por muitos que me entenderam, me apoiaram e me seguraram quando eu caí. E como eu caí! 

Sempre tive uma mente confusa, aquela de “não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou”. Mudo de opinião a todo instante. Não me envergonho de ser o que eu sou, de ter o que eu tenho, e de falar o que eu penso, e de reformular minha teoria sobre determinado assunto, não mais. Mas dá pra imaginar o caos interior, de uma pessoa que não consegue firmar uma opinião, uma decisão? Dentro de mim, uma explosão de sentimentos diferentes, misturados, dançando o Harlem Shake, enquanto eu tento fazer uma piada, na maioria das vezes sem graça de alguma situação da vida. Oh, não me julgue por ser assim! Minha auto-crítica já me julga o suficiente, todos os dias pela manhã. Não sou de tomar decisões precipitadas, mas se eu não quero mais ser o que eu queria ontem, eu decido que vou largar e pronto. Não me critique por não terminar o que eu comecei, já fiz isso várias vezes e continuarei fazendo, por amor à mim. Me permito voltar atrás, me arrepender sem sofrer, e encontrar um novo caminho que me leve ao que eu quero agora, e amanhã talvez não queira mais, e o ciclo não para.

Hoje, eu não ligo mais pros rótulos, não espero nada de ninguém - Adoro me surpreender e morder a língua pra alguma coisa que eu não esperava acontecer. Hoje eu vejo a vida de um modo diferente. O tempo passa rápido, um dia, parece passar em duas horas. Tenho muita coisa pra viver, muitos lugares pra conhecer, muita gente pra compartilhar. Minha lei, é não me importar com opiniões que prejudicam minhas escolhas. Decidi ser decidida nesse ponto. Vou ser feliz assim, indecisa, confusa, e inconstante. Uma música que me define? “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” ♪ A vida segue em frente, e tem sempre um novo amanhã pra me arrepender, voltar atrás, e começar tudo outra vez! 

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