Fome – E Solidão Zero


Freud já dizia: “esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer”. Não há como contestar o pai da psicanálise. Então essa não é uma história sobre amor, te aviso desde já. Não é uma história sobre superação. Não. É um agradecimento. A um total desconhecido. Sei sua aparência física, mas sei somente isso. O entregador de pizza acabou com  minha solidão. E se você já está pensando em clichês eróticos a essa altura do texto… Pare. Pois esta, meu caro leitor, é uma história bonita, sobre solidão e compaixão. Sobre como um escritor exerce, muitas vezes, a mesma função de um entregador de pizza.

Interessante; no mínimo. Sábado a noite. Descontentamentos diários. Toda pressão que final de semana exerce. Porra. E se eu quiser ficar sozinha? Eu, minha taça de vinho, televisão, livro, algumas distrações e apenas. Não vejo pecado algum. Pois bem. Chega uma hora que bate uma angústia inexplicável. Falta de contato. Instinto, sabe? Minha atitude ermitã enjoa  depois de certo tempo. E como não havia mais ninguém para ligar, apelei aos favoritos. E lá estava. Salvação em forma de queijo, massa e cobertura. Disquei rapidamente. Estava ansiosa pela voz na outra linha. Algumas formalidades apenas. Esse mundo está cheio de formalidades. Sentimentos espontâneos precisam surgir nas pessoas com mais frequência. E nossa conversa se desenrolou como em um roteiro. Obrigada, tchau. Tchau.

Claro que isto contribuiu para o delírio. A fé na humanidade foi perdida em uma ligação à pizzaria. Naquela época era fácil perder a fé. Paranoia. Desejos insatisfeitos. Ou pode ter sido a fome, jamais saberemos. A questão era que todos tinham esquecido da minha existência naquela sexta. Ou era sábado? E temos um pouco disso. De nos sentir sozinho com frequência. Eu tenho. Não sei se você compartilha esse sentimento. Tenho mania de preferir a voz do Bon Jovi do que ele em pessoa. E Freud já não está mais entre nós para me ajudar. É uma pena. Mas sei que se formos francos sobre isso, você também deve se sentir desamparado. Uma vez ou outra. Admita.

E finalmente ele chegou. No meio a toda essa crise existencial. Ele chegou com a pizza e com o troco. E com um sorriso. E uma breve companhia. Ele se importou; sabe? E ele também estava sozinho, até me encontrar. Digo, estamos solitários, mas estamos nisso juntos. E eu posso estar evitando o mundo lá fora. Claro, reconheço. Mas me entrego a pequenos prazeres. É uma forma diferente de encarar as coisas. Nós, eu e ele, temos um laço. Um laço que eu só conhecia com meus escritores favoritos. Uma identificação. História compartilhada. Uma eternidade que dura até o motor começar… Adeus.

Evito o sofrimento, conheço as pessoas, mas e você Freud, conhece o prazer que só uma pizza pode proporcionar? Eu te convidaria, mas…



4 comentários:

  1. Eu adorei o texto, muito bem escrito/construído, o blog está mais lindo a cada dia!


    Beijinhos,
    Lia *.*
    www.limaoealecrim.blogspot.com

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    1. Obrigada, Jamilly! Que bom que gostou :)
      caso tenha interesse em ler mais, esse é meu blog: http://correioelegante.blog.br/

      beijo!

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  2. Fernanda, menina me identifiquei muito com essa crônica!
    Já tive momentos assim, daqueles que até se o telefone tocar e for engano já me sinto envolta em uma companhia rs

    Gostei do seu estilo de escrever! :D

    Bjos

    http://amomuitotdisso.com.br/

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    1. hahaha, todos já tiveram momentos assim! aposto :)
      fico super feliz que rolou uma identificação!
      Obrigada, fico super feliz que você gostou.
      Caso queria ver mais, aqui está o link do meu blog:
      http://correioelegante.blog.br/

      beijo!

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