Força


Força. É isso o que todos veem em mim, e é exatamente isso que eu quero que vejam. Uma menina forte, casca grossa, que não desce do salto. Uma menina tão alto astral que parece não chorar nunca, um alguém que não se abala com nada. E é isso o que eu vejo quando me olho no espelho. Mas se eu parar por um momento e ver além do meu reflexo, tudo vai se desmontando lentamente, peça por peça, tão devagar que chega a ser doloroso. Eu faço isso uma vez por semana, duas talvez. Eu me torno o que eu sou de verdade, me torno um ser frágil. 

Lentamente, vão se formando lágrimas em meus olhos. Lágrimas sem nenhum motivo momentâneo, lágrimas passadas. Aquelas que eu seguro hora e outra, sabe? Tenho certeza que você também tem um pouco disso. Amarro meus cabelos e observo cada movimento com cautela, como se qualquer movimento brusco pudesse me quebrar de uma forma irrestaurável. As lágrimas caem da mesma forma com que geraram, lenta e vagarosamente. Eu vou sentando devagar, com muito cuidado, e me encosto no meu roupeiro. Tudo começa a voltar pra minha mente, e é como se eu estivesse vivendo tudo novamente, só que de forma mais dolorosa. Eu fecho os meus olhos, e vejo você pronunciando todos os fonemas sem pressa, como se a sensação fosse boa. Você é um cretino, e isso fere a mim mesma por ter acreditado por tanto tempo numa verdade contrária a esta. Eu ainda acredito, e é por isso que eu faço isso comigo volta e meia, que é pra ver se eu me dou conta de que você só me faz mal. 

 Eu olho para as paredes, e é como se todas elas me abraçassem. Olho pro espelho e vejo a figura exausta que reflete nele. Como eu pude chegar nesse ponto? Os meus olhos pesam e tudo o que me transmitem é cansaço. As minhas mãos tremem um pouco envoltas nos meus braços, o que faz com que eu me sinta ainda mais fraca. Algo lá fora me chama atenção, e eu vejo entre as cortinas que já está amanhecendo. Preciso voltar pro casulo, já é hora. Levanto observando meus pés, que tocam vacilantes no piso. Me dirijo ao banheiro e ligo o chuveiro que faz com que eu me sinta em casa novamente. Começo a me despir e vou para o chuveiro, onde eu jogo a água e a realidade no rosto e volto a ser como era antes. Me sinto renovada. Pego meu celular e disco teu numero, que como de costume, cai na caixa postal a essa hora. Ouço a tua voz na mesma gravação de sempre, e concluo que estou recuperada por um bom tempo. Volto pra rotina normal como se nada tivesse acontecido e cuido pra torrada não queimar. Mais um dia incrível pela frente. 


3 comentários:

  1. gostei do blog ^^

    http://jackelinenuit.blogspot.com.br/

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  2. Que texto incrível *----*
    Aqui é tão aconchegante né?! Parabéns e sucesso para vcs!
    Beijinhos ;)

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  3. amei o texto
    bjs
    http://blog-fazendomoda.blogspot.com.br/

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