Meus Silêncios


A maioria dos cubículos (de gelo?) do Edifício Copacabana nunca viu o mar. As grades são altas e enferrujadas.

“Penduro algumas mágoas no varal e elas simplesmente não evaporam”. O sol brilha igual para todos nós?

Ainda esperamos a hora certa que nunca irá chegar. Insistimos.

A espera é um escape; esvazia o vazio que juramos, juramos que jamais existiu. Quem sabe sejamos definidos pelas faltas.

Andamos em linha reta para não tropeçar. Controlamos tantos impulsos, mesmo assim, queremos chegar ao topo do nada. Porque não significará nada; no final. Mas o final é distante, acreditamos que é.

Perdemos o hábito de olhar para fora. A vista é impedida pelas cortinas fechadas e empoeiradas. Somos guiados por luz artificial e nossos olhos entram em choque com luz natural.

Desperdício. Acostumamo-nos a coisas demais. Amores são regados diariamente e escondem rasgos, têm vergonha da vulgaridade que a alegria exibe. Sem piedade. Silenciamos desejos; sufocados pela rotina. Recusamos belas ilusões que não podemos experimentar. Mas engolimos propagandas e poluição. Nossos templos são salas fechadas; é proibido fumar porque o cigarro de ninguém tem algo a dizer. E o cheiro não incomoda mais que o silêncio. Nossos sorrisos se transformam em rugas. Aceitamos crises de meio-amor, mesmo sabendo que já não temos idade para isso. Acostumamo-nos a guerra e esquecemos que já fomos crianças que desenharam sonhos em bandeiras brancas.

A maioria dos moradores do Edifício Copacabana nunca ousou visitar o mar porque o mergulho é provocativo, é temido demais. E há aqueles que se contentam em molhar os pés.

Ainda temos compromisso em sonhar.

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