Cifrão


baixei o olhar para minha mão aberta. imaginei como ela sabia tanto sobre mim. linhas desorientadas. nenhuma leitura é capaz de salvá-las. células mortas. cédulas mortas! antes mesmo começarem a viver.
a moeda brilha
na pureza do meu suor
fundem-se!
terrível despertar
duas naturezas opostas
dinheiro limpo não existe
há sempre um sacrifício
um assassinato silencioso
uma corrupção
alma limpa…
duas naturezas
opostas?
ataques violentos. acumulamos para esquecer quem somos. contaminam-me – a gordura o cheiro o sangue das mãos passadas. mãos desconhecidas. histórias que seguiram. carentes.
fluxo constante de capital. quanto, diga-me, quanto você deseja pagar? eu aponto o caminho, eu enfeito o altar. Santo Banco, entre lá para rezar, um minuto lá dentro e você começa a acreditar. no vazio.
duas naturezas. o que é real e o que são meros centavos? tome posse de mim. coloque palavras na minha boca e sonhos no meu bolso – eis o tamanho deles – o máximo que podem assumir.
você diz que quer libertar-se e eu acho nobre, acho sim. mas é como dizem, a corrente não tem fim.
sua mente está decidida. formato de cifrão. você será um eterno escravo do erro que jamais cometerá. quantos gritos estão escondidos no seu silêncio?
selvagem!
alma vende-se por dinheiro
e eu permaneço aqui
pensando que é Ele que está
na minha mão
- a ilusão ainda vai te custar caro.
assinado: alguém que ainda não desistiu;
e escreve poemas em notas de dois reais.
- o que pode um escritor sem a revolta?


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