A Primeira

Que seja doce até tornarmo-nos amargos.

Poderia, nessa idade, viver apenas de memórias. Mas viveria apenas com a dela e com um espaço vazio.

E que forças são essas, que desprendem-me do chão no qual eu mesmo fiz de tudo para ser atado?

Lembro bem. Sentia que estava testemunhando o começo de algo, mas não sabia exatamente o quê. Era alegria sem nem saber. O amor tinha gosto de liberdade e cada palavra era o desprender de um nó. O tempo passava ligeiro, quase despercebido.

Antes, meu destino era qualquer um, e eu ia e vinha como se não saísse do lugar. Ela, mesmo sem querer, foi meu senso de orientação. E, ao mesmo tempo, foi minha tontura. Minha perda de consciência escolhida a dedo pelo coração.

Eu te conheci em uma vida que quis ter.

Sabe qual é a forma ideal de amor? Deixa. Eu mesmo respondo. É amar as estações da pessoa. Eu a amei desde as flores brotando até as folhas secas caindo. Amei seu amor errado. E cheio de certezas. Ela sempre olhava-me torto, quase que desconfiada. Era inimiga e aliada. A tênue linha de seus lábios era metáfora que separava o amor do ódio.

Disfuncional.

Vimos várias chances de regressos e retornos, mas deixamos que ficasse da forma como tinha ido embora.

Não há tempo para reconstruir-se. Apenas para interditar-se.

Ela será, eternamente, uma forma sossegada do passado.

Entenda. É justamente porque tu foste capaz de fazer-me feliz, que hoje, faz-me triste.


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