Vidas Passadas


somos justamente aquilo do qual fugimos.

eu sempre soube que, mesmo tendo acabado de chegar, estava de partida.

eu era só uma possibilidade, mas aí veio a vida.

há um quê todo especial em estar diante da maternidade onde você nasceu. e pensar que, a partir dali, o mundo só cresceu cresceu cresceu. até ficar maior que você. e querer, várias vezes, te engolir. admita. você, na maioria dessas tentativas, não soube resistir. até tentou, preciso lhe conceder esse crédito. mas não havia manual, afinal, toda vida é um acontecimento inédito. você lutou, mas teve a sensação de que tudo foi em vão. por isso, desiste, todo dia, de umas quarenta ambições que nem sabem bem o que são.

de quantos sonhos se faz a distância?

escrevo minhas saudades de ontem. as coisas são tão pequenas. antes, pareciam gigantes. e o riso era constante. por vezes, embriagante. mas sempre fazia você seguir adiante. com um olhar cada vez mais que brilhante. que a vida, foi, aos poucos, dando um jeito de apagar. sabe, eu não tenho muito do que reclamar. existe sempre um lugar para voltar. mas, às vezes, parece que você não pertence. dá a impressão que aquele lugar foi seu e já não é mais; já não satisfaz os desejos do seu coração.
árvores mortas já não mais oferecem proteção.

hoje estou dividida. por isso eu saí em busca de. o mundo revelou-se diante de mim. mas a minha sombra não acompanhava. era como se ela estivesse enraizada em algum lugar. e a memória faz deste seu lar.

por mais que eu tente fugir, existe uma sensação diferente em estar em casa. não importa o que eu faça. existe uma intenção inicial que abre as janelas para o – até então desconhecido – resultado final.

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